Os fatos e atos de 2020: Anonymous volta à ativa

Dando uma continuação à postagem do 2019 sobre o que estava acontecendo, vamos fazer uma série de postagens relacionadas à mudanças de ação e reação. Com o reaparecimento do grupo de hacktivistas Anonymous devido aos últimos acontecimentos nos EUA, o Brasil não poderia ficar fora do foco do grupo também. Então, sejam bem-vindos e bem-vindas à nova saga de 2020 o que está acontecendo?

Lembrando que já há um post sobre o grupo neste site (clique aqui para ler) e outra postagem no blog Internacionalize-se (clique aqui).

Breve histórico do grupo

O grupo de hackers Anonymous surge em 2003, divulgando em redes sociais que eram um conjunto de indivíduos mundialmente organizados, pensando e agindo como um só na rede, com zero hierarquia, nenhum Governo e principalmente nenhuma Lei. Eles se dizem uma comunidade sem gênero, aberta e que acredita na “emancipação do povo”. É uma comunidade anárquica, e a anarquia portanto se caracteriza por:

uma corrente de pensamento/ideologia que se remete à desordem, à ausência de regras. Portanto acredita que nenhuma forma de dominação é válida, principalmente a do Estado sobre a sua população. O anarquismo prega uma horizontalidade e a cultura da autogestão e da coletividade. (Clique aqui para ler um texto do site Politize).

Diferentemente dos outros posts, não iremos debater sobre os tipos de ataques (DoS, DDoS), e sim vamos debater sobre o quais estão sendo os passos do grupo e de onde proveria o poder desse coletivo que assusta Estados, corporações e indivíduos, para ler mais sobre os métodos clique aqui.

No artigo de Gabriela Coleman, ela debate sobre de onde vem o poder desse coletivo. O que a autora brilhantemente escreve é sobre a dificuldade de destacar quem são/é o Anonymous. Pois, alguns “Anons”, como se chamam alguns integrantes desse coletivo, trabalham independentemente, outros trabalham em pequenos grupos ou se juntam à um enxame de demonstração durante uma campanha/ação de larga escala. O Anonymous tende a se juntar e ampliar a onda de eventos existentes ou causas existentes.

Tradução: Conhecimento é liberdade. Nós somos Anonymous. Nós somos Legião. Nós não Perdoamos. Nós não Esquecemos. Nos aguarde.

Antes de 2007-2008, o nome Anonymous era quase que exclusivamente utilizado/conhecido para trollagens, ou seja, fazer pegadinhas colocando como alvo pessoas e organizações, danificando reputações, divulgando dados ou informações pessoais. Essas pegadinhas eram feitas com a imagem do quadro do site 4chan.org sobre o codinome de “The lulz”, que significa “as risadas”. Porém, segundo Coleman, o grupo quase que acidentalmente amplia seu reportório de táticas em 2008, quando surge uma sensibilidade de ativismo durante uma campanha de pegadinhas contra a Church of Scientology (Igreja da Cientologia).

Tradução: Não se pode cortar fora o que não existe. Anonymous. Nós somos Legião. Nós não Perdoamos. Nós não Esquecemos.

Algo que passou a definir o grupo é a sua mutabilidade e o seu dinamismo que é algo contínuo em sua história de desenvolvimento e ativismo. Como resultado destes fatores, é difícil saber quando ou onde o Anonymous irá atacar, quando uma nova informação, grupo irá agir, se a campanha terá êxito e como o coletivo poderá mudar as direções ou as táticas durante o curso de alguma operação.

Reaparecimento do grupo:

Logo utilizada nas redes do Anonymus

O grupo voltou a aparecer no cenário após a morte/assassinato de George Floyd nos Estados Unidos da América por parte de um policial. Uma das contas vinculadas ao grupo postou um vídeo falando sobre a corrupção relacionada a policia dos EUA e sobre como esses crimes e os seus autores deveriam ser expostos e pagar por eles. A partir daí outras células do grupo no mundo começaram a ativar suas páginas nas redes sociais, principalmente no Twitter.

Os hackers já expuseram dados e informações relativas ao Presidente Norte-Americano Donald Trump, alguns de seus aliados e, segundo eles, continuarão expondo mais coisas. Aqui no Brasil, o reaparecimento do grupo ocorreu e está tendo uma repercussão um tanto quando ambígua. Foram expostos dados referentes ao Presidente brasileiro, porém a maioria deles pode ser adquirida (não com muita facilidade por causa da plataforma), no site da Transparência.

De qualquer forma, as ações do grupo ainda estão sendo feitas. Ambos os presidentes até agora tidos como alvo já se manifestaram a respeito das ações do grupo, mas como citamos anteriormente, chegar até a fonte dos ataques mera a impossibilidade.

E agora, para encerrarmos um aviso muito importante. Você pode curtir informações vazadas mas JAMAIS COMPARTILHE informações ilegais, pois podem não chegar a quem vazou a informação mas com certeza podem penalizar quem divulgar informações adquiridas ilegalmente.

Até o próximo post! Aguarde que as postagens referentes ao grupo só começaram.

REFERÊNCIAS:

FERNANDES, António H. A anarquia internacional crítica de um mito realista. Disponível em: <http://www.scielo.mec.pt/pdf/ri/n36/n36a07.pdf>.

COLEMAN, Gabriela. Anonymous in Context: The Politics and Power behind the Mask. Internet Governance Papers, paper n. 3. Set. 2013. Disponível em: <https://www.cigionline.org/sites/default/files/no3_8.pdf>.

MOLLOY, David; TIDY, Joe. Anonymous: por que os cyberativistas estão outra vez sob os holofotes. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-52886927>.

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