Que o Brasil teve um começo tardio, isso é um fato. Vamos ignorar um pouco a discussão se a colonização foi ou não boa, porque, qualquer que seja o seu veredito ela aconteceu. Nosso foco é discorrer sobre quais foram os processos que o Brasil passou/passa para sua industrialização. Falaremos da vinda da família real, principalmente do Barão de Mauá, Getúlio Vargas, Jucelino Kubitschek até chegarmos aos dias de hoje.

O processo de colonização do Brasil começa em 1500, mas o Brasil só começa a “mudar de cara” com a vinda da família Real Portuguesa, e para quem não se recorda, essa vinda foi compulsória devido ao Bloqueio Continental promovido por Napoleão Bonaparte.

Retrato chegada dos portugueses no Brasil

Muitos genocídios, muitas guerras entre povos, catequizações forçadas depois, temos o começo do processo de “colonização ocidentalizada” no Brasil. É bom recordarmos que o Brasil era a única colônia falante de língua portuguesa na América do Sul, e mesmo depois do processo de independência da América Espanhola o Brasil continuou sendo a única colônia europeia da região. Nossa independência foi tardia e errada, todos sabemos. O mundo já estava em um movimento de independência das colônias e o Brasil teria sido independente de qualquer forma, mas como aqui tudo ocorre às avessas, pagamos até o último centavo para a Coroa de Portugal que repassou a dívida para a Inglaterra, ou seja, mais uma maçaroca.

Barão de Mauá

Passando dessa parte vamos para a importância de um senhor chamado Barão de Mauá no nosso processo de industrialização, é importante sabermos quem é ele, pois o Sr. Irineu Evangelista de Sousa, conhecido nos livros como Barão de Mauá, foi o pioneiro da industrialização do Brasil lá no século XIX. Gaúcho, filho de fazendeiros, nasceu em 1813 acabou sendo criado por seu tio, trabalhou desde cedo e acabou trabalhando depois de um tempo para o escocês Richard Carruthers, na companhia dele que era especializada em importação e exportação (olha aqui o comércio exterior), em 1829. No ano de 1836, Irineu se estabelece como sócio da companhia, Carruthers & Cia. E em 1839, Richard volta para a Inglaterra deixando Irineu no comando dos negócios. E é aí que começa a influência direta do Barão de Mauá na industrialização brasileira. Com o sucesso nos negócios ele começa a investir na infraestrutura brasileira, vejam bem, ele era um filhote do capitalismo, tratava seus funcionários como auxiliares, o que no contexto da época era algo surreal, considere que o Brasil só aboliu a escravidão com a Princesa Izabel, portanto um empresário tratando seus funcionários como seres humanos beirava o incompreensível para a época.

Pois bem, logo após assumir os negócios no Brasil ele muda de ramo do comércio exterior para a área de fundição. Iniciando a indústria naval brasileira, promove o encanamento das águas do rio Maracanã no Rio de Janeiro (1850), funda a Companhia de Navegação a Vapor do Rio de Janeiro (1851), Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas e a Companhia Fluminense de Transportes (1852). Além disso, em 1854 nasce a primeira ferrovia do Brasil, chamada de Companhia de Estrada de Ferro, ligando o Porto Mauá na baía de Guanabara à encosta da Serra da Estrela. Inclusive nesse mesmo ano, Dom Pedro II concede-lhe o título Barão de Mauá.

Belle Époque

Agora, está com uma dúvida né? Por qual razão ele fez isso e o imperador do Brasil aceitou na boa? Lembrem-se de que o Brasil se torna independente em 1822, e que limpamos nossos cofres para pagar essa dita independência, então, quanto mais o Barão dispusesse do seu dinheiro para industrializar o Brasil melhor para o governo. Inclusive há vários boatos de que sempre que Dom Pedro precisava de alguma obra ele pedia para o Barão fazê-la. Portanto os boatos de que Dom Pedro não gostava do Barão são completamente falsos. Pulando um pouco temos a República Oligárquica, Belle Époque brasileira de 1870-1914 e o começo da industrialização propriamente dita no início do século XX.

Dando outro pequeno salto, vamos para 1930, com a Era Vargas, que dura até 1945, nova constituição, direitos trabalhistas, voto para mulheres, golpes de Estado, industrialização brasileira, fim do eixo São Paulo-Minas Gerais no poder (Política do Café com Leite). Instauração do modelo econômico do corporativismo onde temos a interferência direta do Estado na economia e nos sindicatos. Basicamente Vargas investe na industrialização da indústria pesada, criando a Companhia Siderúrgica Nacional, Companhia Vale do Rio Doce, Companhia Hidrelétrica São Francisco, Instituto Nacional do Mate, Conselho Nacional do Petróleo.

Aqui eu farei um parêntese, durante esse texto falamos sobre consolidar a indústria e seus setores, então, creio ser imprescindível que todos saibamos quais são os setores da indústria que um país industrializado deveria consolidar. São três, indústria pesada ou indústria de base, indústria de bens intermediários e indústria de consumo, confira cada uma na imagem a seguir:

Getúlio Vargas

Saindo de 1945, vamos para 1956-1961 no Governo que tinha a campanha “50 anos em 5” do Presidente Jucelino Kubitschek, com planos de metas para transporte, educação, indústria, energia, alimentação. Consolidando o setor da indústria pesada no Brasil. Logo em seguida temos o Regime/Ditadura Militar, alguns investimentos nos setores da economia, mas, não consolida nenhum dos outros setores da economia.

A verdade é que o Brasil possui sim um histórico não democrático, porque temos um misto de regimes políticos, escravidão, ditaduras. Demonstrando que o movimento de consolidação da indústria nacional não foi feita até o fim, e um dos principais motivos é a instabilidade política que começou lá em 1500.

E a realidade brasileira, infeliz ou felizmente deixo você decidir, é que a política influencia diretamente no cenário econômico, portanto a instabilidade política brasileira é uma das razões pela qual a nossa economia permanece fragilizada e o nosso cenário permanece incerto.

E aqui deixamos a nossa indagação à você, caro leitor, qual é a sua visão sobre o processo de industrialização do Brasil? Ele já ocorreu? Ainda está em andamento ou talvez ainda nem teve início?

Até o próximo post! Não esqueçam de nos seguir no Instagram e acompanhar o podcast!

Escrito por

Katlen Carvalho | Intolerâncias Internacionais

Internacionalista apaixonada por segurança internacional, inteligência e cenários estratégicos que não come carne, glúten ou lactose.