O texto de hoje é muito importante, principalmente em tempos de disseminação de fake news. Você sabe o que é a Organização Mundial da Saúde, como ela surgiu, qual a razão dela existir? Ou talvez qual o papel dessa organização no ordenamento do Sistema Internacional.

A OMS possui 194 Estados-Membros, nos seis continentes com mais de 150 escritórios. Segundo a OMS, a equipe está comprometida para atingir melhor saúde para todos, em todos os lugares. Foi criada em 7 de abril de 1948, no âmbito das Nações Unidas, no período pós-Segunda Guerra Mundial, onde via-se que o problema da falta de condições básicas de saúde poderia matar e afetar o mundo muito mais do que uma guerra. O foco era a necessidade de se pensar em um organismo internacional voltado à promoção da saúde global, pensando que a falta de acesso à saúde e a propagação de doenças é uma ameaça à paz mundial.

O papel da organização é direcionar e coordenar a saúde internacional no sistema das Nações Unidas. As principais áreas de trabalho são os sistemas de saúde, saúde ao longo da vida, doenças comunicáveis e não comunicáveis, preparo, vigilância e resposta, e serviços corporativos. O esforço de cooperação técnica e científica é a principal estratégia da organização para influenciar os sistemas nacionais de saúde.

Basicamente a organização serve como uma intermediária entre os países e as tendências mundiais. Ela ajuda os países a melhorarem, emite relatórios sobre a saúde no mundo, pesquisa e dá linhas guias para o globo. É sim uma organização política, porém o Quadro Executivo é composto por membros técnicos na saúde, que dão o respaldo para as decisões e políticas para a Assembleia da Saúde. A forma pela qual funciona é através da coordenação e do direcionamento da saúde através da colaboração, ou seja, os países e organizações colaboram para melhorar uma situação, uma política, um programa.

Um dos princípios constitucionais da OMS é:

“O gozo do maior nível de saúde que se possa alcançar é um dos direitos fundamentais do ser humano, sem distinção de raça, religião, ideologia política, condição social ou econômica” (OMS, 1946).

Em inglês, Smallpox, Campanha de vacinação para erradicar a varíola.

Um exemplo da atuação da OMS foi em relação à varíola, uma doença com taxa de mortalidade de 30%, que foi responsável pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas que através de uma campanha de imunização liderada pela organização foi erradicada nos anos 1980. E é a única doença infecciosa que foi erradicada até hoje.

Em 1974, a organização expande o Programa de Imunização Infantil, com ênfase na poliomelite, sarampo, difteria, coqueluche, tétano e tuberculose.

Outra ação mais recente da organização foi a atuação conjunta no combate do Ebola na República do Congo em 2019, onde a OMS declarou emergência de saúde pública internacional dia 17 de julho de 2019. A situação do Congo foi delicada, e o auxílio da OMS foi fundamental.

Um dos objetivos da OMS é o levantamento de informações sobre as doenças do mundo, é responsável pela Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID), Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e a Classificação Internacional de Intervenções de Saúde (ICHI). A importância dessas classificações é a padronização das doenças e eventos de saúde em todo mundo, para que os eventos possam ser analisados de forma estatística e viabilizem a colaboração e a elaboração de estratégias de combate.

A principal instância decisória da OMS é a Assembleia Mundial de Saúde, que é realizada anualmente durante o mês de maio. Fazem parte 194 delegações dos países membros, distribuídos em seis escritórios regionais. A função principal é determinar a política da organização (MATTA, 2005, p. 376).

O grupo executivo é composto por 32 membros tecnicamente qualificados do campo da saúde, que são eleitos pelo período de três anos. As principais funções são efetivar as decisões e políticas determinadas pela assembleia, e instruí-la, de forma geral, a facilitar seu trabalho. O secretariado da organização é formado por 3.500 especialistas

Escrito por

Katlen Carvalho | Intolerâncias Internacionais

Internacionalista apaixonada por segurança internacional, inteligência e cenários estratégicos que não come carne, glúten ou lactose.