Vamos falar sobre: aborto (parte II)

Há algumas semanas o Intolerâncias Internacionais trouxe um debate um tanto quanto polêmico, sobre o aborto. Tratamos sobre a forma como a Legislação Brasileira e outras legislações ao redor do mundo lidam com o assunto. E o final da discussão se teve com o argumento de que, sendo o corpo da mulher dela, ela deve ser livre para escolher manter ou não uma gravidez. Se não se sentir bem em seguir com essa gravidez, por qualquer motivo, deve lhes ser dado todo o aparato do Estado para que o aborto seja feito nas condições mais seguras.

Porém, como o objetivo deste blog é trazer fatos, argumentos, exemplos, vimos a oportunidade e a necessidade da argumentação nesse assunto, visto que, até então no Brasil, só há o retrocesso na lei em relação ao aborto. Atualizações sobre a PEC 29/2015, ainda está em tramitação no Senado Federal.

Esta discussão foi adaptada e retirada de postagens do Facebook, Instagram e Twitter sobre o assunto. Trazendo os argumentos mais utilizados que não abordamos na primeira edição desse ‘Vamos falar sobre’.

LEGENDA: em negrito a argumentação a favor da proibição do aborto. E em itálico a argumentação a favor da descriminalização do aborto.

Mas se o aborto for descriminalizado, o aborto se tornará uma forma de contracepção.

Resposta 1: É estimado que 40% das gravidezes no Reino Unido não são planejadas. Há vários casais saudáveis e inteligentes, em relacionamentos saudáveis que tiveram uma gravidez não planejada. E eles ou estavam usando contraceptivos no momento que falharam ou se descuidaram por um momento. Agora, pense que diversas pessoas estão por aí, vivendo vidas caóticas, em situações instáveis, e talvez essas pessoas não sejam educadas ou são muito jovens, ou tenham doenças mentais, vícios ou talvez estejam em relacionamentos abusivos. Imagine se eles tiverem uma gravidez não planejada? É incrivelmente ingênuo dizer que contraceptivos existem então você deve negar os direitos sobre o seu próprio corpo, não ter nenhuma escolha e ainda ser forçada a continuar com algo traumático e, para muitas, arriscado. Que tipo de sociedade pensa que mulheres devem perder/renegar seus direitos a seus próprios corpos, colocando eles e sua saúde mental em risco, possivelmente perderem seus empregos, parceiros (as) e qualquer estabilidade que possam ter em suas vidas? Continuar com uma gravidez não é escolha de ninguém mais além da mulher, porque continuar com uma gravidez que não é sua escolha será tortuoso e absurdamente cruel. Como foi dito antes, você estaria dando menos direitos a essas mulheres ao que acontece com elas do que dá direitos a pessoas mortas.  Devemos tentar prevenir gravidezes não planejadas, mas saiba que mesmo assim elas ainda irão ocorrer. Então o aborto precisa ser uma escolha. Se você não quer abortar, tudo bem, mas não tire a escolha de outras mulheres.

Resposta 2: Não sei como te falar isso, mas as mulheres não usam pílulas abortivas como forma de contraceptivo. Até porque uma caixa de pílulas anticoncepcionais é absurdamente mais barata do que pílulas abortivas. Use o cérebro, as pessoas não vão gastar seu dinheiro em abortos. As mulheres somente abortam dessa forma em pequenas instâncias em que o(s) método(s) contraceptivo(s) que ela usa falha.

Não abortem, deixem outros que não podem ter filhos adotarem essas crianças.

Resposta 1: Desculpe, mas e quanto as milhões de crianças que estão em orfanatos, abrigos, casas de adoção que ainda estão lá, esperando terem uma família? O aborto só adiciona mais crianças a esses números. O bebê não consegue sobreviver sozinho, sem um lar, sem amor, sem estabilidade não há como essa criança ter qualidade de vida, ou vida. Posso escolher não abortar, mas mesmo assim, se escolher ou não, não quero e não creio que outras pessoas forcem suas opiniões ou crenças em mim então nunca faria com outras mulheres, especialmente quanto crianças são uma responsabilidade e requerem muito trabalho e esforço, afinal são outra vida.

Resposta 2: Resposta: Não diga para a mulher não abortar a menos que você vá, pessoalmente, adotar a criança, pagar pelo plano de saúde e dar apoio e suporte tanto físico quanto financeiro durante toda a gravidez. Todos devem manter suas opiniões para si sobre o assunto, e deixar as mulheres que precisam/querem/escolheram fazer o aborto e fazerem sem se sentirem julgadas ou ameaçadas por quem não concorda. Não é problema de ninguém além dos pais. Alguns fatos sobre o assunto:

  1. Já tem muitas crianças no sistema, e não há pessoas suficientes para adota-las.
  2. O mundo já está superpopulado e nosso planeta não dará conta dessa super população para sempre.
  3. O cérebro da criança não está desenvolvido até muito mais tarde do que as 10 semanas. E sem um cérebro ou um sistema nervoso é impossível para o feto sentir dor. O embrião/feto não faz ideia do que está acontecendo e não está consciente da sua própria existência nesse estágio.
  4. Estudos mostram que quando os abortos são feitos legalmente, ou seja, com o aparato do Estado, a taxa de criminalidade caia porque as mulheres não estavam sendo forçadas a terem crianças que não queriam ou não eram capazes de amar ou dar o suporte que elas necessitavam ou terem que ir para o crime para dar ajudar financeiramente o mais novo membro da família.
  5. Crianças que nascem em famílias que não as querem ou que são forçadas a continuar a gravidez contra sua vontade são, algumas vezes, negligenciadas e em casos extremos, até abusadas. É absolutamente horrível e de quebrar o coração. Mas todos vemos nas notícias isso. E, infelizmente, até o momento que o cérebro da criança está desenvolvido, eles estão mais do que cientes do que está acontecendo a eles.

Então deixe as pessoas decidirem o que é melhor para elas e para as suas famílias.

Vida é vida, não importa quão pequena, aborto não deveria nunca ser uma opção quando pode ser evitado. Se o bebê pode sentir e experimentar nas 10 semanas então certamente pode sentir dor e medo!

Resposta: Não eles não sentem. As pesquisas mostram isso. O cérebro de um feto não está desenvolvido o suficiente, não até perto das 24 semanas. Isso não é ser pró-vida, porque não está ativamente trabalhando para adotar essas crianças você mesma, reformar o processo de adoção, fazer o sistema de saúde ser gratuito e acessível a todos, fazer os auxílios e cuidados a crianças acessível e ter certeza que cada mulher ou homem transgênero tenha acesso a métodos gratuitos de contraceptivos. Muitas crianças são abusadas sexualmente e é pior dentro do sistema. Centenas de milhares vivem indo de um abrigo a outro nunca tendo uma família e crescendo dentro do sistema. Mesmo que seja incrível como nós, seres humanos nos desenvolvemos, isso não dá nada e a ninguém o direito de usar seu útero contra sua vontade. Não podemos salvar 10 crianças a não ser que o doador tenha assinado um contrato antes de morrer. As mulheres precisam ter mais direitos sobre seus corpos do que os mortos. O feto tem direitos? Contraditório, mas diremos que sim! Se você quiser que eles tenham então vá em frente! Porém, isso significa que os direitos deles terminam onde começam os de outra pessoa. Significando que eles não podem usar o sangue, corpo, órgão de outra pessoa sem o consentimento do doador. Então, se você é contra o aborto, simplesmente não aborte. Simples assim.

Estes são os principais argumentos e contra argumentos sobre esse tema. O que acha sobre esta discussão? Não esqueça de nos seguir no Instagram, Facebook! Até o próximo post!

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