Apatia e dissociação social

Este é um tema que sempre ouço e discuto nas mesas de debate. Vou avisando que não é um assunto fácil, não tem um final feliz, na verdade, não tem um final. Sinto a necessidade de discutirmos este assunto por ser algo que envolve muito mais.

Sabe quando você vê as estatísticas falando que há 2 milhões de pessoas morando nas ruas, que há mais de 30 milhões de animais vivendo nas ruas. Chamo essas situações e situações similares de dissociação ser-humanidade, desde sempre o ser humano tem a tendência de dissociar a humanidade do ser. Essa dissociação se torna rotineira, pois não pensa na criança moradora de rua como ser humano, que se torna quase que “parte da paisagem”, não pensa na falta de oportunidades que muitos brasileiros têm de entrar na vida acadêmica, na vida profissional, de ter uma vida, que discute a respeito das cotas baseados na meritocracia, estando numa bolha ideológica, numa situação privilegiada.

Sim, discutiremos sobre esta questão. É muito fácil ficarmos nas nossas bolhas ideológicas acreditando que as cotas não funcionam , que não são necessárias, que todos têm as mesmas oportunidades de trabalho, de vida, de sobrevivência. Esse pensamento caracteriza você como mesquinho, egoísta. É uma falta de empatia, uma apatia social, sem preocupação nenhuma com os seres. É egoísmo pensar que o mundo, o Brasil deveria ser baseado na tal da meritocracia e que as cotas devem ser extintas. Essa meritocracia significa que a pessoa ganhará créditos, oportunidades baseada em seu mérito, em sua capacidade, só que o que muitos esquecem que a meritocracia pressupõe que todos tenham as mesmas condições sadias de vida, que tenham as mesmas oportunidades de vida, estudo, trabalho, o que claramente não é o caso de muitos países do mundo e, principalmente, não é o caso do Brasil. Principalmente considerando o histórico de escravidão, de repressão as minorias, as mulheres, a população LGBT. Além disso esse sentimento e pensamento apático é o que mantém a indústria da carne, da violência e do sofrimento se desenvolvendo e não se extinguindo.

Precisamos discutir sobre estas questões, pois elas envolvem muito mais do que a nossa humanidade, envolve a nossa casa, o planeta Terra. Precisamos começarmos a sair da nossa bolha ideológica, ter preocupação com o meio ambiente, com o desenvolvimento sustentável, com o próximo, com a vida. Precisamos parar com sensos comuns, com alguns pensamentos que se tornam comuns e rotineiros, sobre nazismo, sobre Direitos Humanos, escravidão, direitos das mulheres, dos índios e da Indústria da Carne.

Nazismo alemão

A razão de Hitler conseguir se manter no poder e cometer as atrocidades foi a postura conivente da população com as ações desse líder autoritária. Ações estas que envolveram perseguições a negros, judeus, LGBT e contrários ao regime nazista, tortura, campos de concentração, assassinatos, em prol de uma propagação da raça ariana e de morte a contrários ao regime, tratando estes grupos como objetos. Precisamos ver e admitir que estes atos ocorreram, que o nazismo precisava acabar e nunca pode voltar. Quem nunca ouviu que o holocausto não existiu? Que ninguém foi perseguido? Não podemos deixar esse pensamento guiar! É necessário que todos conheçam os perigos de um regime autoritário, de perseguições. O Brasil é um caso infeliz disso pois, não temos um museu da ditadura, da tortura, os torturadores não foram responsabilizados foram anistiados, o que leva a população crer que não aconteceram as atrocidades que se fala. Não sejamos conivente com estes atos, não desassocie.

Direitos Humanos

Não vou me prolongar sobre o assunto pois já temos um post falando sobre o tema. A questão dos Direitos Humanos se encaixa com a questão do feminismo, se hoje podemos ir e vir, termos liberdades de expressão, termos livre arbítrio, é por causa de todas as lutas para termos direitos, e mesmo com todas estas lutas ainda há muito a ser conquistado. Então, não podemos deixar com que o discurso de direitos humanos são direitos dos bandidos, porque se hoje temos liberdade é por causa desses direitos, tenhamos mais coerência, não dissocie os Diretos Humanos de ninguém, eles são de todos, não seja hipócrita.

Escravidão e racismo

Comment_ReverseRacism_JulienBalbontin-940x564A escravidão sempre existiu e, infelizmente, ainda existe. É um problema relacionado com a falta de direitos humanos, de compreensão que todos são pessoas, ninguém é propriedade e produto de ninguém. Além disso é um problema de racismo sim, racismo institucionalizado, pois temos diversos exemplos em que o racismo e a escravidão andavam juntos. Precisamos reconhecer que a escravidão é um mal que ainda ocorre para que consigamos acabar com ela. Não podemos desligar a nossa humanidade e encarar como se fosse tudo bem, coisa do passado.

Feminismo e a inferioridade da mulher

Antigamente a mulher não era considerada uma pessoa, era considerada propriedade de um homem (pai, marido, filho, irmão), não possuía direitos de ser livre, de poder se expressar, de ser independente, de ter voz, de poder votar. Surge então o movimento feminista buscando a igualdade entre os sexos, a tal da igualdade de gênero. Então, não podemos divulgar que é um movimento apolítico que é anti-gênero, é ao contrário, o movimento luta pela igualdade de gênero, pela igualdade de salários entre os sexos se ambos possuírem a mesma qualificação, a mesma função. Havia e ainda há principalmente por causa do machismo a dissociação da mulher como ser vivo, tratando-a como não merecedora de afeto, respeito, amor, cuidado, ou a tratando como ser fraco e menos capaz. Indústria da carne

A industria da carne é a mais assassinatos e cruel do mundo, juntamente com a indústria do ovo e do leite, que já comentamos em um post. As pessoas tem uma facilidade de dissocia os animais com a carne consumida. Sabe os coraçõezinhos que são consumidos diariamente por milhares de pessoas? Cada um desses corações é um animal que morre. Aquela costela “suculenta” ou “bem passada”, é a costela de uma vaca, boi que morreu para que você comesse. Precisamos parar de dissociar, de desligar a nossa humanidade com os seres, se você come a carne você é conivente sim com toda a crueldade animal que ocorre. Se você utiliza marcas que testam em animais você é conivente com a tortura e a crueldade animal, há diversas marcas veganas e não veganas que não testam em animais e não usam nada de origem animal em suas produções.

Espero que tenha entendido a mensagem. É necessário deixarmos de sermos conivente com essa forma de encarar seres como produtos, como se seus direitos fossem opcionais, como se a crueldade e a tortura fossem normais e aceitáveis. Vamos parar de sermos apáticos? Vamos parar com o narcisismo social?

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Até o próximo post!

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