Vamos falar sobre fascismo?

Obedecendo a votação do Instagram, desde que 95% dos votos foram a favor de uma postagem sobre fascismo aqui estamos. Desde que criei o Intolerâncias Internacionais na outra plataforma venho querendo escrever sobre este tema, porém, falar sobre o fascismo requer tanto estudo quando qualquer outro post que fiz e farei neste site, só que um pouco mais cauteloso, com um cuidado especial. E qual a razão de ter cautela para falar sobre este tema? É porque não sabemos realmente o que é o fascismo, por quê e como ele surge. E assusta, porque ele pode estar mais próximo de você do que imagina. Além de termos muitos sensos comuns relacionados, o que dificulta o entendimento do tema.

Para este texto vou indicar alguns filmes e livros no final do post porém já deixo um deles aqui como n°1, é um filme que foi muito criticado pela mídia, porém foi também muito elogiado, é inspirado em um livro, então, se preferir ler é uma leitura no mínimo interessante. No Instagram você verá a lista de livros e filmes que indicamos para conhecer mais sobre o assunto com uma leitura mais acessível junto com suas capas.

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Ele está de volta é uma releitura interessante que nos traz um questionamento: e se Hitler voltasse, em pleno século XXI?

Quero começar falando que o fascismo é um movimento extremista, assim como o nazismo, e assim como diversos outros movimentos, não só relacionados a política, veja os casos dos fundamentalistas islâmicos, do ISIS. Pois bem, depois de me informar, estudar, resolvi escrever sobre este tema delicado, complexo e muito importante para nós seres humanos.

Segundo o Dicionário de Política de Norberto Bobbio e segundo Silvano Belligni, extremismo indica um tipo específico de doutrina, um comportamento ou um modelo de ação política verdadeiro e específico que é/são adotado(s) por um coletivo (grupo, partido, movimento) que rejeita as regras do jogo de uma comunidade política.

É importante entendermos que o fascismo é um movimento político, econômico e social, que surge e se desenvolve no período da Primeira Guerra Mundial, devido ao contexto de crise econômica mundial, que afeta especialmente a forma do europeu de ver o mundo e seu modelo. Entendendo que é um movimento extremista é necessário reafirmar que a figura do fascismo e de todos os extremismo necessitam de um líder, uma cara para o movimento, um ídolo, um mártir. O fascismo então, é sobre ter um líder que se posta como o salvador da pátria, usa das violências e dos preconceitos da população e de um certo tipo de imperialismo, que o exibe como a cara do regime e do movimento.

Quando falei que era difícil escrever sobre o fascismo, o que quis deixar claro é que não há um conceito aceito universalmente, e como tal, posso escolher qual a definição que mais se encaixa no meu entendimento de fascismo. Essa definição é uma das alternativas do Dicionário de Política de Bobbio: “Em geral, se entende por Fascismo um sistema autoritário de dominação que é caracterizado: pela monopolização da representação política por parte de um partido único de massa, hierarquicamente organizado; por uma ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema de tipo corporativo; por objetivos de expansão imperialista, a alcançar em nome da luta das nações pobres contra as potências plutocráticas; pela mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime; pelo aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência e do terror; por um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa; por um crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado; pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações econômicas, sociais, políticas e culturais.”

Porém, por mais diversas que sejam as definições do termo há como identificar pontos de semelhança:

  1. é um regime autoritário.
  2. é baseado numa concentração total de poder nas mãos de poucos ou de um, o líder do movimento, do governo.
  3. há a exaltação da coletividade nacional, ou seja, as massas que se sentem excluídas pelas mudanças sociais são exaltadas, seus medos são expostos e apresenta-se uma solução concentrada na figura de um líder forte, com atitudes controversas que dialogam com o sentimentalismo da população. Sensibilização da massa.
  4. controle/manipulação dos meios de comunicação em massa, ou seja, revistas, jornais, rádios. O movimento fascista controlava a tudo e regulava todos os comunicados e todas as formas de propagações de cultura. Usando esses meios de comunicação para a propagação da sua ideologia.
  5. As críticas ao governo são controladas através do uso da violência e do terror. Os inimigos do regime são considerados terroristas, e que devem ser combatidos e aniquilados.
  6. O contexto social para que um regime fascista se instaure é um contexto de instabilidade social, política e econômica, ou seja, uma crise generalizada, tanto social, como política quanto econômica.

É importante ressaltar que o fascismo é um movimento de extrema direita, assim como o nazismo alemão. Vou deixar aqui o link de um artigo que fala sobre os movimentos de extrema direita.

O fascismo surge na Itália, no contexto de Mussolini, naquele cenário de crise, instabilidade, ódio crescente ao líder atual. Surge a figura de Benito Mussolini, comandante do grupo Fascio de Combate, que se torna o Partido Nacional Fascista (PNF). Em 1922, este grupo realiza a Marcha sobre Roma, em prol da renúncia do Rei Vítor Emanuel III e da transferência desse poder para as mãos do PNF. O Rei acaba por convidar Mussolini para fazer parte do governo, uma vez inserido no contexto governamental, começa o projeto autoritário e centralizador, conquistando aos poucos espaço no Congresso. Logo, Mussolini era o líder da nova política italiana, o legislativo foi enfraquecido, meios de comunicação foram fechados, o único partido legal era o PNF, e a pena de morte foi legalizada, Estado controla a economia e as organizações trabalhistas.

Nesse mesmo período temos na Alemanha a ascensão do regime nazista, com seu líder Adolf Hitler. Num contexto de crise após o Tratado de Versalhes, que declarava a Alemanha como a grande perdedora, tendo que pagar indenizações, perder territórios, não poder ter contingente militar, produção bélica. O final da Primeira Guerra Mundial e o Tratado trazem consigo um sentimento de revanche dos alemães em relação a outros Estados, fortalecendo o sentimento nacionalista, aquela frase de “nós precisamos nos proteger, não podemos depender de alguém para fazê-lo”. O fim do regime de monarquia alemão acaba nesse período instaurando a República de Weimar, que começa a restabelecer o país, até a crise de 1929, que mostra de novo o quão frágil estava o país. Surge um líder propondo retomar o crescimento, acabar com o desemprego através de um Estado Forte, de uma política pesada. Este discurso surge de dentro da República, pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, num processo parecido ao da Itália, pressionando para que o presidente alemão concedesse mais poderes à Adolf Hitler, que é indicado a Chanceler e posteriormente, assume o cargo de presidente e se autodenomina como Führer, dando início ao regime nazista alemão.

Antes de continuar destaco um fato, por mais que o partido nazista se denominasse socialista não significa que o governo de Hitler era de esquerda, comunista, muito pelo contrário, os governos de Hitler e de Mussolini eram de Direita, sem quaisquer relações com o socialismo. Clique aqui para ver o artigo da Dra. Me. Denise Rollemberg pela Universidade Federal Fluminense, discutindo sobre estes dois movimentos.

Então, o fascismo é um movimento autoritário, de direita e que se caracteriza pelo uso da repressão, do controle das mídias e das massas, da propagação do ódio e da violência. O fascismo existe em todas as sociedades, porém, ele obtém voz em sociedades que passam por crises políticas, sociais, econômicas e que estão fragilizadas, desacreditadas e desoladas com o antigo modelo de sua sociedade. É importante a atenção pois, é um desejo reprimido, um preconceito, um medo do velho maior do que do novo que permite que este tipo de movimento se enraíze nas sociedades.

OBS.: movimentos como fascismo e nazismo nem sempre irão instaurar os fatores acima descritos da mesma maneira, eles são bastante adaptativos e requerem velocidade e rapidez de ação, então, em um momento esta proposta de ação, de Governo era somente uma ideia e, no próximo, o regime já está instaurado.

Esta foi a parte I sobre fascismo, teremos a parte II, com a contribuição de um intelectual da área para ajudar a aprofundar o debate.

Para finalizar esse post deixarei algumas dicas de livros e filmes para assistir que se relacionam com o tema do fascismo:

1. Ele está de volta.

2. V de Vingança.

3. A Onda.

4. Hannah Arendt.

5. Um dia que durou 21 anos.

6. O fascismo e os imigrantes italianos no Brasil.

Obrigada! E acompanhe a segunda parte sobre o tema!

Não esqueça de curtir, comentar aqui, na página do Facebook ou no Instagram o que achou do post e sugestões para os próximos!

Até breve!

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