A Era Pós-Snowden

No dia 06 de Junho de 2013, The Guardian (jornal britânico) postava reportagens sobre um esquema da CIA (Agência Nacional dos Estados Unidos, ou NSA), denunciado por um ex-funcionário da agência Edward Snowden, sobre espionagem em massa a diversos Estados do mundo, gerando uma crise diplomática e consequências até hoje. Este esquema de espionagem que Snowden expôs já estava ocorrendo pelo menos desde o governo Bush (o presidente da Guerra ao Terror, da tragédia do 11 de Setembro de 2001) foi um choque em proporções globais quando os demais países ficaram sabendo. Dentro das Relações Internacionais estudamos alguns princípios básicos para a existência e manutenção do Sistema Internacional como autodeterminação dos povos e o mais importante para este texto: soberania dos Estados.

FRANCE-US-EU-SURVEILLANCE-SNOWDENAté 2013, o mundo não considerava a internet, o mundo virtual como um assunto cabível de segurança nacional, até porque não se tinha casos suficientes que afetassem a soberania de um considerável número de países para que se tornasse relevante. Pós-Snowden, o mundo virtual passou a ser uma questão de segurança nacional. O Presidente dos EUA no contexto era Barack Obama, que possuía em suas mãos uma delicada questão, afinal, ao continuar com um programa de espionagem a diversos Estados, estava atentando contra a soberania destes países. A partir dos escândalos a questão da segurança virtual começa a ser tratada como um item da agenda internacional, ou seja, passa a ser relevante para discussão como uma real preocupação, pois agora não são mais países isolados que compõem uma sociedade, e sim países que estão interligados no que o autor Castells chama de “sociedade em rede”. Surge então de forma prática o conceito de cibersegurança como a proteção do ciberespaço (espaço virtual que é construído através de meios informáticos interconectados) de forma a prevenir e garantir a segurança de todos que usufruem desse ambiente. Os Estados então resolveram criar (não de forma conjunta), agências especializadas na proteção de crimes cibernéticos, segurança dos dados para a proteção de seus cidadãos.

AGENCIAS.pngDiversos países do mundo resolvem debater a nível doméstico sobre formas de proteger este “novo” espaço, e então começam a surgir acordos, declarações, reuniões e instituições responsáveis por debater, zelar pela segurança e regulamento deste ciberespaço. Na União Europeia surge a ENISA (Agência Europeia para a Segurança das Redes e da Informação), na China surge o Cyber Blue Team, no Reino Unido o Cyber Security Operations Centre on Government Communication Headquarters, nos Estados Unidos surge o U.S. Cyber Command. Dentro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) surge o centro especializado em ciberdefesa chamado de Cooperative Cyber Defence Centre of Excellence (NATO CCD COE).

A mudança de paradigma no tocante a segurança das redes de comunicação é visível, percebe-se que esta questão é tão importante quanto a defesa do território real, das fronteiras, afinal deste momento em diante, de nada adianta ser um Estado com um poderio militar gigantesco se no quesito da segurança cibernética estiver completamente desprotegido e até mesmo dependente da tecnologia de outros Estados para sua segurança. Pós-Snowden os Estados Unidos mostraram que, mesmo sem ter a menor intenção de divulgar, nenhum Estado estará seguro se não souber como proteger seus dados, os dados de seus cidadãos e de sua Nação.

Além de que a questão da espionagem entre os Estados se torna uma preocupação e um ponto de inflexão, como é que o Brasil pode confiar nos EUA se há pouco tempo os norte-americanos estavam espionando as ligações, mensagens da atual presidente? Como que os demais países se sentirão em relação aos acordos e alianças envolvendo os EUA se eles estavam, tão descaradamente, espionando, grampeando, utilizando informações confidenciais de outro Estado sem a autorização do mesmo?

É visto que as relações diplomáticas entre os países estremeceu com o incidente, claro que muitas coisas ainda estavam por vir, muitas delas que afetam diretamente a soberania dos Estados. Ainda estamos tentando descobrir como proteger o ciberespaço, o cidadão, o governo sem violar direitos e a soberania de outros países.

Bom, esta é uma discussão bastante profunda, busquei trazer aqui uma cronologia de acontecimentos para que o tema do ciberespaço fosse incluído na agenda internacional. Se tiver mais curiosidade sobre o assunto posso escrever e indicar textos que falam deste cenário de forma mais profunda.

Até o próximo post!

tenor (1).gif

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s